23 de out. de 2025

O Estresse da Tela: Como o Excesso de Redes Sociais Aumenta a Ansiedade nos Jovens

 É inegável que as redes sociais mudaram o jeito que os jovens se comunicam, mas elas se tornaram uma faca de dois gumes. O que era para ser um lugar de conexão, na verdade, virou um grande palco de ansiedade e pressão para quem está na fase de descobrir quem é.

Como psicóloga, percebo que as plataformas digitais se tornaram um catalisador de sofrimento, e a culpa está principalmente na "Ditadura da Vida Perfeita".

A Comparação que Cansa e Adiciona Pressão

O principal problema é o show de horrores filtrado que vemos online. O feed está sempre cheio de viagens incríveis, corpos sarados e conquistas inacreditáveis. Para o jovem, que ainda está formando sua identidade, isso é devastador.

Essa exposição constante a um padrão irreal cria uma ansiedade de performance: a obrigação de ser feliz, produtivo e popular o tempo todo. A mente jovem começa a se focar na insuficiência, no medo de não ser "bom o suficiente" e na sensação de que todos estão se dando bem, menos ela.

O Cérebro Viciado e o Alarme Ligado

As redes sociais são desenhadas para viciar. Elas usam um sistema de recompensa aleatória (a próxima curtida, o próximo comentário) que te faz checar o celular o tempo todo, quase como se você estivesse jogando caça-níquel.

Essa checagem constante mantém o cérebro em estado de alerta e expectativa. Não há descanso! O sistema nervoso fica hiperativado, elevando os níveis de estresse de forma crônica. O resultado é claro: aumento da ansiedade generalizada e, claro, insônia, porque a cabeça simplesmente não consegue "desligar" na hora de dormir.

O Medo de Ficar de Fora (FOMO)

Existe também o famoso FOMO (Fear of Missing Out), o medo desesperador de estar perdendo algo importante. Ver amigos em festas ou viagens cria uma ansiedade de exclusão, uma sensação de que a vida real está acontecendo em outro lugar.

Essa pressão faz com que o jovem não consiga simplesmente relaxar ou se concentrar em tarefas offline, como estudar ou desenvolver um hobby, pois a prioridade viciosa é monitorar o mundo digital.


As redes não são o único fator, mas são um grande amplificador da ansiedade. Se a sua saúde mental está sendo afetada pela tela, o tratamento não é só sobre os sintomas, mas também sobre aprender a criar limites digitais firmes. É essencial ensinar a mente a questionar a perfeição ilusória das redes e a buscar a validação e as conexões significativas no mundo offline.


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